terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Ao vento

Foto: josé alfredo almeida



A minha filha perguntou-me 

o que era para a vida inteira 
e eu disse-lhe que era para sempre. 

Naturalmente, menti, 
mas também os conceitos de infinito 
são diferentes: é que ela perguntou depois 
o que era para sempre 
e eu não podia falar-lhe em universos 
paralelos, em conjunções e disjunções 
de espaço e tempo, 
nem sequer em morte. 

A vida inteira é até morrer,
mas eu sabia ser inevitável a questão 
seguinte: o que é morrer? 

Por isso respondi que para sempre 
era assim largo, abri muito os braços,
distraí-a com o jogo que ficara a meio.

(No fim do jogo todo, 
disse-me que amanhã 
queria estar comigo para a vida inteira) 

Ana Luísa Amaral

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