terça-feira, 17 de outubro de 2017

Eternamente Douro-184

Foto:josé alfredo almeida

Barco na paisagem-356

Foto:josé alfredo almeida

Pontes da Régua-1119

Foto:josé alfredo almeida

Dorme cá hoje

Foto:josé alfredo almeida


Dorme cá hoje. Tenho uma almofada a mais
 feita de memory foam das televendas
 onde a curvatura do teu crânio
 já foi adivinhada 

 Praticamos o modo bed and breakfast,
 aceito dinheiro ou cartões
 mas não te dou crédito, 
em troca levo-te o cafe à cama 

 Não estranhes este meu hábito 
de deixar a luz acesa
 para fingir que está alguém em casa 
ou o outro de deixar 
pernas e portas entreabertas
 esperando que o último a sair
 se lembre de as fechar 

 Não espreites o quartinho dos arrumos,
onde guardo a esfregona, 
os homens que corroem 
e o óleo de cedro para os móveis

 O meu chão vai ranger 
quando o privares do teu peso; 
por hoje, torna-te o homem-a-dias 
que vem arejar este quarto alugado 

 Descansa se ouvires sons de ossos
 a estalar durante a noite;
 são só os meus esqueletos
 a dançar vitoriosos no armário 



 Ana Bessa Carvalho           

Inacreditável-3

Foto:josé alfredo almeida

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Inacreditável-2

Foto:josé alfredo almeida


14.00 horas- a Régua envolta em fumo dos fogos.

Inacreditável

Foto: josé alfredo almeida


14.00 horas- a Régua envolta em fumo dos fogos.

Paisagem cinzenta

Foto:josé alfredo almeida

                     11.00 horas: a paisagem da Régua está envolta no fumo dos fogos.

Eternamente Douro-183

Foto:josé alfredo almeida

Eternamente Douro-182

Foto:josé alfredo almeida

Barco na paisagem-355

Foto:josé alfredo almeia

Palavras para quê?




quando o amor acontece
sorrisos falam amor,
bocas caladas juram promessas,
olhos cristais brilham sonhos esmeralda.





Vila Real, M. Hercília Agarez, 15 de Outubro de 2017

sábado, 14 de outubro de 2017

Eternamente Douro-179

Foto: josé alfredo almeida


"CONHEÇO ESTE SÍTIO, UM DOS MAIS BELOS DO MEU MUNDO."


João de Araujo Correia

O vento não varria tudo!





O vento não varria as folhas
O vento não varria os frutos 
O vento não varrias as flores
E a minha vida não ficava
Cada vez mais cheia 
De frutos, de flores de folhas 
O vento não varria as luzes 
O vento não varria as músicas 
O vento não varria os aromas 
E a minha vida não ficava
Cada vez mais cheia 
De aromas, de estrelas, de cânticos 
O vento não varria os sonhos
E não varria as amizades 
O vento não varrias as mulheres
E a minha vida não ficava 
Cada vez mais cheia
De afectos e de mulheres 
O vento não varria os meses
E não varria os teus sorrisos
O vento não varria tudo! 
E a minha vida não ficava 
Cada vez mais cheia 
De tudo.


Mário Cesariny

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Sopro de outono




era uma noite branca com um rio
dentro, ali afundámos os dias
contados, as roseiras do jardim,
duas ou três horas felizes
e outros erros.

trocávamos tudo por um sopro de outono.


Renata Correia Botelho

Águas-furtadas

Foto:josé alfredo almeida



A minha camisa nas costas da cadeira 
diz-me que hoje percebi
quantos anos
a decorar poemas
esperei por ti. 





 John Berger 

Eternamente Douro-178

Foto:josé alfredo almeida

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Eternamente Douro-177

Foto:josé alfredo almeida

Eternamente Douro-176

Foto:josé alfredo almeida

Prémio de consolação




Vales, ravinas, desertos,
e fins de semana, livros a mais,
amigos a menos, noites
de fumo, de corpos alheios,
de novo ravinas, desertos
e vales - eu nunca pensei
que fosse tão longe e que fosse
tão pouco a felicidade:
ovos mexidos, arroz de tomate,
o ir a correr quando o filme começa,
o vem para a cama, um sopro
de mel, e novas legendas no álbum
de fotos - eu nunca pensei
que fosse tão alto este único prémio
de consolação.


José Miguel Silva          

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Não te esqueças, ouviste?



Meu amor.
Só tu tens os caminhos do meu regresso.
Há tantos silêncios entre as palavras que me escreves 
e nas raras vezes que falamos ao telefone, fica tanto por dizer…

No meu peito um atalho, um desvio breve para ti.
Trouxe comigo o teu cheiro.
“Amo-te, amo-te.
Nunca te esqueças, ouviste”? Disseste-me tu!

Aqui, nesta guerra tudo muda de uma forma assustadora.
Por vezes, o tempo flutua como almas perdidas ou o pó das estradas. 
E eu fico assim, numa agonia a pensar em ti.
No azul dos teus olhos.

Amo-te, não te esqueças, ouviste?


Ana de Melo

Dourar

Foto: josé  alfredo almeida

Barco na paisagem-354

Foto:josé alfredo almeida

Eternamente Douro-175

Foto:josé alfredo almeida

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Distante de um olhar

Foto: josé alfredo almeida


Que a importância esteja no teu olhar, não naquilo que olhas.




André Gide

Postal ilustrado

Foto:josé alfredo almeida


(...)

Entre os meus dedos fica o lugar oco
onde tão certo deixo esse postal
ilustrado do teu esquecimento.



António Franco Alexandre

Explicação

Foto:josé alfredo almeida


Tudo o que te disser 
tudo o que escrever 
sou eu a perder-te




Manuel António Pina

Somos assim



Inevitável. A palavra certa é inevitável e lembro-me que foi essa a palavra que me ocorreu enquanto te abraçava e tu me abraçavas a mim. Era forçoso que assim fosse, não porque o quisesses tu ou o desejasse eu. Não porque não te amasse, ou porque não me quisesses tu. Simplesmente tinha de acabar, de uma forma ou de outra e, sendo assim, antes terminasse com um abraço. Mas tinha que acabar. São coisas que não se explicam, ou que, tendo explicação, não podem justificar-se recorrendo às escorreitas equações da lógica. Eu gosto-te, tu gostas-me; logo: separámo-nos. Tu vais e eu fico. Sofres tu e eu sofro também, porque tem mesmo que ser assim e não podia ser de outra maneira. E, se calhar, tinhas razão – o amor é mesmo para os parvos.



Manuel Jorge Marmelo

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Sorrisos verdes

Foto:josé alfredo almeida


Embora as temperaturas insistem em negá-lo, estamos no Outono. Aqui é o Douro  pedregoso, pardacento, despido das suas garridas vestimentas, abandonado pelas suas gentes. Duas pedras de xisto, sozinhas e tristonhas, brincam à geometria e, sem saberem o que isso vem a ser, criam uma imagem digna de cenário para qualquer pintor interpretável.

Quantos anos lhes deve a terra, a elas e aos seus arames enrodilhados e com a ferrugem à vista, como chagas de mendigos? Cumprem, todos, o seu destino. As videiras são medrosas, precisam de suporte protector, quais crianças agarradas a mãos maternas.

No chão confraternizam feias folhas feitas lixo. Clima de finitude a que uns tímidos sorrisos verdes, resistentes, dão  um ar de esperança em colheitas futuras.



M. Hercília Agarez, 8 de Outubro de 2017

Ecrã gigante

Foto:josé alfredo almeida

Folhas em flor

Foto: josé alfredo almeida

Eternamente Douro-174

Foto:josé alfredo almeida

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Eternamente Douro-171

Foto:josé alfredo almeida

Eu ainda espero

Foto: josé  alfredo ameida




Ele vive numa folha de papel.
Num tempo a preto e branco
em que sonhava a cores.


E eu não sei a que ritmo ele respira.
Qual a temperatura da sua pele,
a maciez do seu cabelo.
Lembro-me dos seus olhos.
De quem espera tudo.




Eu ainda espero,
olhar outra vez assim o mundo.



Ana de Melo

Queres saber quem sou?





Queres saber quem sou? 
Eu sou a que te olha e espia para te recolher
e depois guardar num lugar que é só meu.
Para isso serve o papel.
O resto não precisas saber. 
Nem convém. 
Só te ia distrair, podes crer.
Eu sou a que mergulha as mãos na tua vida
para sentir a minha voltar.
.




Pedro Paixão

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Sonhos protegidos





Deixa que os meus olhos se fechem
E confiem um minuto nos teus...
Olha por mim, proteje o meu sonho

Vigia o meu descanso e afasta-me de todas as mágoas
Deixa que os meus olhos durmam nos teus...



Albano Martins 

Magia colorida

Foto:josé alfredo almeida

Eternamente Douro-170

Foto:josé alfredo almeida