sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Eternamente Douro-191

Foto: josé alfredo almeida

Eternamente Douro-190

Foto:josé alfredo almeida

Eternamente Douro-189

Foto: josé alfredo almeida



Eternamente Douro-188

Foto:josé alfredo almeida

Trago uma carta




Até há bem pouco tempo não sabia quem era o carteiro da minha rua, da zona onde moro.
As poucas vezes que o vi, ia eu a correr escada abaixo, uma boa tarde, um olhar de soslaio, não me lembrava sequer do seu rosto.
Há dias, quando ele estava a distribuir as cartas nas várias caixas do correio do prédio onde moro, coincidiu quando eu ia a sair.
Parei, e perguntei se havia alguma carta para o número da minha porta.
Olhou para mim, perguntou qual o andar e com um sorriso rasgado, respondeu que não.
_ Hoje não há carta para si!

Pela rua enquanto caminhava, relembrei um outro carteiro.
Que eu esperava no penúltimo degrau de pedra das escadas da minha casa, no tempo da minha infância.
Mal surgia na sua bicicleta e se apeava, para entregar alguma carta ao lado da minha casa, a minha voz ansiosa:
_Senhor carteiro tem carta para mim?
Um olhar curioso no início.
Com o tempo e o hábito de me ver ali algumas vezes, à espera de carta, abria o rosto num grande sorriso e respondia:
_ Não, hoje não há carta para si!
Outras vezes, de uma forma séria quase cerimoniosa,
pedia-me para confirmar o endereço.
Para logo a seguir, dizer:
_Hoje está com sorte, tenho aqui uma carta!
E sorria simpático, perante o olhar cúmplice de alguém da minha família que estava à janela ou de algum vizinho (a) que estava perto.
O Carteiro da minha infância...
Há tanto tempo que não me lembrava dele, da sua importância na minha vida...
Uma carta naquela altura, era algo de extraordinário para mim.
Em geral eram cartas da família, de pessoas que me eram importantes, nelas podia sentir cheiros e por vezes a respiração de quem a escrevia.
Outras vezes, ficava à espera.
De uma carta, promessa, ilusão, que nunca chegou

Ana de Melo

Folhas em Flor




Título: Folhas em Flor
Autor: Hercília Agarez
Fotografia da capa: José Alfredo Almeida
Editora: Lema d`Origem, Lda (Out/2017)




Não se aprende, a poesia
estão dentro da alma
todas as regras


Se pudesse, o lavrador
pegaria na tera
ao colo

Rezam em mosteiros
monges-eremitais:
e o mundo não muda.



 Aos meus leitores


Na sequêmcia de As Asas da Libelinha (2015), ester livro é constituído por compsições poéticas inspiradas nos haiku do poeta japonês Matsu Bashô, seu criador, no século XVII. Trata-se de tercetos autónomos, pelo que, apresentados doi em cada página por opção da autora, não têm interligação temática. Exprimem eles percepções do real quotodiano em que a natureza impera e também estados emotivos em que um eu, o do sujeito poético, se desnuda veladamente. A exemplo do que sucece com os cultores de haiku, não é respeitada a métrica (dezassete sílabas distribuídas por cinco sílabas nos primeiro e terceiro versos e por sete no segundo). A maior preocupação é a economia e a escolha criteriosa de palavras, a capacidade de síntese, a brevidade da mensagem, o efeito surpresa, a prevalência do implícito sobre o explícito. Haiku é uma espécie de flash em verso: espontãneo, rápido, expressivo, supreendente.
É um convite à reflexão, um alertar para realidades para as quais nem sempre estamos despertos. Tentei cumprir estes prssupostos. Cabe ao leitor verficar se o consegui.

M. Hercília Agarez 

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Azul sobre ouro

Foto:josé alfredo almeida


Uma turma de folhas de videira vestiu toilette outonal e respondeu à convocatória para a festa de fim de ano. Cumpriram a sua missão, foram aplicadas, atentas, amigas, resistentes às adversidades.

Esta é a fotografia de grupo. Impossível, mais belo cenário. As cepas, rijas, protectoras, não permitem que nenhuma parra caia antes do tempo. O céu azulou-se quanto pôde. Agradecido. Cúmplice. O chão amarelou-se, atapetou-se para acolher com conforto as colegas mais atrasadas no curso. Tornar-lhe-ão suave, a queda. Solidariedade.


M. Hercília Agarez, Vila Real, 19 de Outubro de 2017