domingo, 22 de abril de 2018

O que nunca se esquece

Desenho de Margarida Almeida

«E se houver muitas sombras dos teus mortos, e se isso se te tornar insuportável, como por vezes acontece, olharás o rio, com seus cais e suas pontes, as árvores ribeirinhas lavando seus cabelos, o inesperado xisto redondo dos socalcos em volta, o verde quase esmeralda da vinha que desperta, as amendoeiras e as cerejeiras já em flor, como uma longa e maravilhosa renda tecida por mãos de fadas, e o esplendor lilás das glicínias de Março; olharás até a estranha beleza trágica dos mortórios da vinha do Alto Douro e depois o horizonte, o perfil soturno e magnificente do Marão, lá em cima, sempre lá em cima, e darás graças a Deus por estares viva e por teres tido - e ainda teres - toda essa gente que te quer bem à tua volta.»



Teresa Pizarro Beleza

Café da tarde

Foto: josé alfredo almeida



Delicadeza é...
Oferecer um café com poesia.



Rita Padoin

Eternamente Douro-422

Foto: josé alfredo almeida

Eternamente Douro-421

Foto:josé alfredo almeida

Aquele olhar





Limitou-se a olhar para mim. 
Aquele olhar disse-me tudo o que havia para dizer.



Charles Bukowski

sábado, 21 de abril de 2018

Mentes





Saber a verdade?
Não, não...
Era tudo mentira.



Francismar Prestes Leal

Diante do rio

Foto: josé alfredo almeida


Caí no silêncio há vários dias. Quero falar-te das horas incandescentes que antecedem a noite e não sei como fazê-lo. Às vezes penso que vou encontrar-te na rua mais improvável, que nos sentamos diante do rio e ficamos a trocar pedaços de coisas subitamente importantes: a tua solidão, por exemplo. Mas depois, virando a esquina, todas as esquinas de todos os dias, esperam-me apenas as aves que ninguém sabe de onde partiram.


Vasco Gato