sexta-feira, 17 de novembro de 2017

História do Douro

























Autor:  António José Borges Mesquita Montes
Editora: Chiado Editora ( Novembro de 2017) 



Sobre as duas obras:

"A Casa do Douro, obra-prima gerada em 1932 pelos Paladinos chefiados então por Antão de Carvalho, apresenta, no seu historial de décadas, situações que bem demonstram, não apenas a magnanimidade do Douro, mas ainda a força hercúlea dos seus viticultores; não apenas no amanho das suas parcelas de vinha, mas também na forma como sempre defenderam a sua Casa que também tudo fez, ao longo dos tempos, para a sobrevivência dos durienses.
Anos e anos sem conta, como se pode constatar nos mapas que aqui se publicam, em que o normal funcionamento do mercado dos vinhos não funcionou, lançando a miséria entre os produtores e obrigando a Casa do Douro a ciclópicas acções de intervenção no mercado, quer dos vinhos de pasto, quer mesmo dos generosos. 
E foram destilarias sem conta para “queimar” todos os anos os vinhos que o mercado não absorvia e produzir a aguardente necessária para a beneficiação dos generosos que haviam de vir... 
E foram armazéns que a Casa do Douro ia construindo para guardar os vinhos generosos que o comércio, quantas vezes, não comprava ao produtor por via de crises que surgiam no mercado dos vinhos, ou ainda de “políticas” que o comércio decidira, por si, impor ao Douro... 
E foram ainda as Adegas Cooperativas que a Casa do Douro ajudou a nascer a partir de 1950 com um contributo não reembolsável de 20% do investimento inicial; 24 foram elas e bem contribuíram para o desenvolvimento tecnológico da vinificação das uvas, para o equilíbrio dos preços ao produtor e para o surgimento de novas marcas no mercado dos vinhos engarrafados. 
Casa do Douro, uma organização da Lavoura, invejada por muitos, nomeadamente por muitas outras regiões vitícolas do Mundo que cobiçavam, também elas, poderem ter coisa igual!
Em 1990 estávamos na sexta década de existência da Casa do Douro. 
O passado, por si, era bastante para que ela usufruísse de todo o respeito - e admiração até – de quem nos governava. Mas, infelizmente, da inveja de muitos outros. 
A Casa do Douro, única “organização corporativa” que passou incólume as consequências da revolução de Abril, continuava a desempenhar, no Douro e junto dos viticultores, as suas funções de equilíbrio da Produção. 
Mesmo quando, tendo surgido tal oportunidade, tomou a decisão de integrar parte do capital da Real Companhia Velha, empresa centenária dedicada à comercialização do Vinho do Porto. 
Que não tinha em vista apenas o usufruto de interesses comerciais, mas, exclusivamente, abrir canais de comercialização directa aos inúmeros viticultores que, já nessa altura, haviam decidido comercializar directamente e sob marcas próprias a sua produção. 
O projecto era aliciante, questão era que os próprios produtores acreditassem nele. 
Foram mais fortes aqueles que, receosos das boas perspectivas daí advenientes que se adivinhavam, tudo fizeram para que tal projecto não fosse em frente; e não foi mesmo. 
Decorrente deste desaire, surgiu na “classe política” de então a oportunidade de finalmente poder pôr fim “ao reinado da Casa do Douro” que já vinha de há décadas. 
À classe política que integrava o Governo de então não foi difícil encontrar argumentos a começar no endividamento da Instituição. 
E ser bem o pensou, de imediato passou ao ataque, exigindo a regularização do passivo da Casa do Douro junto das instituições bancárias nas quais o Estado intervinha como avalista. Questão que até teria sido muito mais fácil de conseguir se o Estado, nessa altura, tivesse assumido, também, a dívida que ainda hoje mantém para com a Casa do Douro, conforme conclusão de estudo então feito e em que ela está perfeitamente especificada e quantificada. 
Mais uma vez aqui se cumpriu o velho ditado: “...olha para o que eu fiz, mas não olhes para o que eu faço...”. 
Aqui, e assim, se iniciou, como tantos desejavam, o descalabro da Casa do Douro, obra dos Paladinos que ao Douro, aos seus Viticultores e ao País prestou sempre serviços de valor incomensurável." 

Sobre o autor:

"António José Borges Mesquita Montes – nasceu na freguesia de Fontelas do concelho de Peso da Régua em 30.03.1939. Fez o curso de Engenheiro Técnico Agrário pela Escola de Coimbra e obteve o tirocínio em Viticultura e Enologia com a classificação de 19 valores. Foi Técnico da Direcção Geral dos Serviços Agrícolas, desempenhando funções em Viana do Castelo entre 1961 e 1965, data em que passou a Técnico da Companhia União fabril, com funções nos distritos de Vila Real e Bragança entre 1965 e 1972. Nessa altura passou a Gerente da Empresa Agrícola da Serra de Leomil, até 1974. Desempenhou depois funções docentes no Curso de Agricultura da Escola Agrícola do Rodo – Peso da Régua. Desde 1.6.1975 desempenhou funções na Comissão de Gestão da Casa do Douro. A partir de 1976 foi eleito sucessivamente para os diversos órgãos directivos da Casa do Douro de que foi presidente de 1987 a 1998. De 1967 a 1994 foi Presidente da Cooperativa Vitivinícola do Peso da Régua – Caves Vale do Rodo, acumulando funções em órgão directivos da União das Adegas Cooperativas do Douro e da Subvidouro – Centro de Aproveitamento de subprodutos do Douro. Foi membro da Comissão Nacional do Office International de la VigneetduVin com sede em Paris; e da Union Mondial dês Alchools com sede em Paris. É Mestre Patrão Principal da Confraria dos Enófilos do Douro e membros de diversas Confrarias Vínicas nacionais e estrangeiras."

Pura luz

Foto: josé alfredo salmeida



Conjunto em ferro forjado
em que o lampião é rei:
não há luz como a do sol.




M. Hercília Agarez