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Foto:josé alfredo almeida |
Tiveste sorte. Plantaram-te, como é costume no Douro, para seres elo da cadeia de oliveiras, bordadura de patamares de vinhas que a João de Araújo Correia sugeriam rosários. Elas lá estão, vigilantes, como marcos em pedra a delimitar leiras, com a vantagem da sua inamovibilidade.
Parece que tu não quiseste misturar-te com a arraia-miúda, isolada como estás no limite do declive. Por isso cresceste a esticar-te em direcção ao rio. Tanta ginástica fizeste que ficaste nesse estado, certamente com dores nas cruzes... Sem o prever, ganhaste uma singularidade extravagante e, ao mesmo tempo, conseguiste aproximar-te das águas, agora mansas e obedientes. Podes sentir-lhes as palpitações, aspirar o seu odor esverdeado, ouvir a surdina da sua caminhada rotineira, retocar, no espelho, a tua copa-toucado.
A natureza gosta de nos surpreender com fenómenos gerados nas entranhas do seu Solo Arável.* Para fugir à banalidade, para se entreter a engendrar partidas criativas a pregar ao seu filho homem, para pôr à prova a liberdade de não trabalhar por encomenda...
M. Hercília Agarez
Vila Real, 8 de Fevereiro de 2018
..È "bonito " olhar e ver como a Natureza é imprevisivel,,!!
ResponderEliminar..Leva..me até ao inimaginável...e "DELICIA"..ME ..
COMPLETAMEMTE...!!!
...È DE UMA BELEZA :INEXPLICÀVEL A FOTOGRAFIA !!!
A copa-toucado até pode vir a ser um ninho, quem sabe.
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