![]() |
Foto:josé alfredo almrida |
Árvores e arbustos floridos são o ex-libris da Primavera.
Rododendros, azáleas, olaias, magnólias, cameleiras & companhia explodem
numa exuberância multicolor espampanentemente estéril. Regalam-nos os olhos,
enquanto não chega o Outono que lhes põe fim à empáfia. Adornam jardins públicos e privados onde
alegram e enfeitam espaços austeros. Oferecem o melhor que têm - as suas
flores. E a mais não são obrigados...
Com as fruteiras o
caso muda de figura. Primeiro emocionam-nos com a subtileza diáfana dos seus
mantos tecidos com milhões de pétalas. As cores são as dos enxovais de meninas. Adaptando
Camões no episódio de Inês de Castro, as flores das amendoeiras, das
cerejeiras, das macieiras, dos pessegueiros e de outras espécies, estão
"Naquele engano de alma ledo e cego / Que o vento não deixa durar muito".
As videiras
constituem, quanto a inflorescência, uma excepção. Não competem, em timing e em
espectacularidade, com as restantes árvores de fruto. As suas flores estão
camufladas, não querem dar nas vistas. Por mimetismo, são verdes como as folhas
onde se aninham. Guardam o protagonismo para os frutos. E aguardam, como mães
ansiosas, a hora do parto, rezando para que venham perfeitinhos e saudáveis. Eles,
sim, merecem todas as venerações, todos os cuidados, todos os carinhos. Não diz,
o sábio povo, "Quem meus filhos beija, minha boca adoça"?
M. Hercília Agarez
Vila Real, 19 de Maio
Perfeitinhos e saudáveis? para mais tarde serem
ResponderEliminartriturados, esmagados ou gostosamente trincados?