sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Memórias partilhadas









qualquer coisa assim 

como um tempo sem fim 

como um espaço sem tempo


Mário Cesariny



Dois bons homens, dois grandes amigos, duas vidas (quase) inseperavéis que a memória de quem os conheceu ou com eles conviveu não pode esquecer.
É isto que revela esta esquecida fotografa, sem ter uma data precisa nem sequer legenda a evocar o momento e o seu tempo, guardada nas caixas de velhas recordações dos meus familiares.
Eu que nela revejo as minhas memórias afectivas, quando olho o rosto destes dois homens, esta fotografia revela-me logo de imediato uma inquestionável verdade: a amizade que uniu para sempre José Bulas Cruz, médico, viticultor e proprietário da Quinta da Costa de Baixo, em Sabrosa, e o meu querido avô materno Álvaro Saraiva que ali trabalhou como caseiro durante muitos anos.
Depois nas observações mais detalhadas, é a terra xistosa revolvida e bordada de flores silvetres, parece-me que a Primavera ali está bem presente e visível com as cores e os aromas da nossa infância, onde estes homens foram fotografados pela câmera lenta de alguém, revela-me também uma outra grande verdade: o meu avô e Bulas Cruz amaram o Douro e, mais que tudo, partilharam uma grande paixão pelo cultivo da vinha e pela produção de vinhos de grande qualidade, como este que muito apreciamos e vamos brindar ao novo ano de 2017.







Cada um destes homens, visionários à sua maneira, foram dois verdadeiros lavradores do Douro e que os seus destinos se cruzaram e fizeram uma história de vida no século passado.E dessa história não é o passado que mais conta, mas a lição de que o futuro do nosso Douro - cheio de incertezas no nosso tempo - depende de nosso trabalho, da nossa paixão e sempre dos nossos sonhos. 
É isto tudo que nos revela esta velha fotografia: a grandeza e o esforço de homens raros que nos permite conhecer mais melhor pelo coração.E é pelo coração posso dizer ao meu avô que continuo fiel à sua memória que permanece presente na minha vida.Como que a guardar-lhe, no seu olhar eternamente sereno, aquele Douro do seu tempo, aquele Douro maravilhoso  em  que transformou os socalcos da quinta do amigo Bulas Cruz. 


Peso da Régua, 30 de Dezembro de 2016
José Alfredo Almeida

2 comentários:

  1. Uma análise bem conseguida à distância de algumas décadas, mas conseguida porque o autor continua fiel à memória dos que permaneceram na sua vida. Parabéns. Um abraço e votos de Bom Ano. (Não te esqueças de guardar uma ou duas preciosidades "Bulas" como na imagem acima)

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  2. ..MARAVILHOSAS MEMÒRIAS ..DESCRITAS COM TERNURA ...E AMOR..!!
    MUITO ESPECIAL ,SIM MEU AMIGO JOSÈ ALFREDO..!!


    PARABÈNS ....!!!!!

    ..


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