Por enquanto, é isto:Montes em tons de barro e de verde que não conhece Outono,Pasto de ecos de nenhuma voz,Céu e terra de costas voltadas,Pássaros emigrados noutros ares,Videiras no osso,Compasso de espera e de silêncio.Entretanto, sem pedir licença a ninguém,A vida vai ganhando balanço.Lavra a terra de mansinho,Gira dentro da cepa e coroa-a com pâmpanosE depois com uvas.O lavrador escuta-lhe o apeloE faz dela a sua vida também.Juntos criam o milagre do “Paraíso da aguarela forte das vinhasQue entram em ondas verdes pelos olhos”Que o poeta[1] pinta com as palavras do espanto.
Ana Ribeiro

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