quinta-feira, 8 de maio de 2014

Por um fio

Trabalho de um Guarda-fios na Régua



Era brincadeira
- diabrura, ralhava a mãe -
Trepar às árvores
E surpreender um ninho aflito,
Ou saborear o cobiçado fruto.

Noutras escaladas da vida,
Foi pássaro sem asas
Empoleirado num poste,
Estafeta na corrida de vozes e sinais
De destino urgente.

Foi acrobata
Sem escada nem rede,
Mãos e olhos presos a fios,
Corpo em suspense
Ao dedilhar a harpa do perigo


Ana Ribeiro

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