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| Foto: josé alfredo almeida |
Um gato, em
casa sozinho, sobe
à janela para
que, da rua, o
vejam.
O sol bate nos
vidros e
aquece o gato
que, imóvel,
parece um
objecto.
Fica assim para
que o
invejem —
indiferente
mesmo que o
chamem.
Por não sei que
privilégio,
os gatos
conhecem
a eternidade.
Nuno Júdice

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