sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Cartas de amor

Foto: josé alfredo almeida


"Nunca gostei de escrever cartas.E sempre escrevi poucas.Alguns postais nas férias, uma correspondência com amigos expatriados.E pouco mais.É verdade que tive uma febre epistolar amorosa durante dois anos.Nessa época enviei talvez centena e meia de folhas A5, epístolas adjectivadas que iam sendo acumuladas numa caixa de sapatos e que acabaram merecidamente no lixo, entre páginas de jornais e embalagens de cartão.Essas cartas de amor, além de ridículas como pessoanamente lhes competia, serviram de aviso.Um aviso que conhecia de um velho adágio latino: verba volant, scripa manet. As palavras esvoaçam, os escritos permanecem.Sendo cartas algo tendentes ao intimismo, o scripta manent representa um perigo considerável.Os nossos sentimento e estados de alma esvoaçam, e é um pouco desagradável haver um legado imutável de papel que documenta um nosso eu antigo e às vezes embaraçoso."

 Pedro Mexia

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