sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A Estação da Régua





Tenho diante de nós uma fotografia, que representa, segundo a pessoa que no-la ofereceu, a inauguração do comboio, na estação da Régua, em 1879. Essa fotografia, à parte o desgaste dos anos, e a debilidade congénita, é uma fotografia de hoje. Mudou apenas, se mudou, o modo de trajar do povo, que assiste à inauguração. O resto, se lhe tirarmos grinaldas e bandeiras, é a estação de sempre: o eterno coberto e, sobressaindo dele, o chapéu do edifício, com quatro janelinhas condenadas a eterna pasmaceira. Sua única distracção não é ver os comboios. É ver chover, quando chove, no dorso do telheiro.
A estação da Régua é aquilo.

(...)

A Régua, como capital do Douro, pátria do vinho fino, exige uma estação mais eloquente do que um simples letreiro pintado numa parede. Exige um edifício que proclame ao viajante, mesmo sem letreiro: aqui é a Régua." 

João de Araújo Correia in "Pátria Pequena"

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