sábado, 2 de maio de 2015

(Re)Conhecer a Régua-216





     A uma "nova" imagem da Régua,  da sua estação dos caminhos de ferro, nos inícios de 1900...
     Lembro que o primeiro comboio da Linha do Douro chegou a esta bela estação no dia 14 de Julho de 1879.
     Foi um dia de grande festa...para a vila duriense.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Museu do Douro-72

Foto: josé alfredo almeida

Delicadeza


Cdte Lourenço de Almeida Pinto Medeiros

                                                               
Faleceu a 12 do corrente, nos subúrbios desta vila, um homem delicado. Melhor dizendo, faleceu a 12 do corrente, nos subúrbios desta vila, um homem que exerceu, durante mais de oitenta anos, a delicada arte de ser delicado.
Parece que o exercício dessa função espiritual o conservou moço até da cova. Tinha oitenta anos como se tivesse apenas cinquenta, mas, direitos e elegantes como guias de salgueiro.
Toda a gente sabe ou adivinha que o nosso morto é o Lourenço de Almeida Pinto Medeiros, o Lourencinho, como lhe chamávamos todos, consoante o uso do Norte. O inho, entre nós, não é mau signo de equívoca personalidade. É tributo que se paga, em moeda de afectivo respeito, a homem que o mereça.
O Lourencinho, reguense nato, inteligência circunscrita a ideias intramuros, coração transbordante de paixões locais, Bombeiros e festas do Socorro, foi excepção na Régua devido à sua ingénita delicadeza.
Por esse motivo, além de outros, faz imensa falta a este burgo comercial, tão atarefado, que não considerou ainda que a cortesia é sinal de civilização.
Terra que não saiba cumprimentar, que não perdoe pequenas fraquezas a naturais e estranhos, que não dissolva mesquinhos ressentimentos, não vença a iníqua antipatia que lhe inspiram os melhores filhos, é terra que não passa de esboço colonial de provável povoação.
É tempo de a Régua se orgulhar de cidadãos polidos como o Lourencinho. Ele e poucos mais, que felizmente por aí ficaram, uns ricamente vestidos, uns pobremente vestidos, provam que a Régua não é tão árida de cortesias como a pintam os seus hóspedes mais sensíveis. O Lourencinho foi fidalgo de natureza, que é a maneira menos falível de ser fidalgo.
                                                                    
Dezembro de 1959

João de Araújo Correia

A casa encantada

Foto: josé alfredo almeida





"Não é a casa que nos abriga. Nós é que abrigamos a casa, pois é a ternura que sustenta o tecto."
                                                                                                            Mia Couto



Esta casa tem certamente uma história.
e o olhar de alguém quem sabe, poisado no rio, ou nos montes, ou apenas dentro de si.

Há dias que qualquer nada faz renascer tanta coisa, tantas e tantas emoções...
Um cheiro doce.
E o tempo pára.

E lá está o Avô sentado confortavelmente no seu cadeirão na varanda defronte para o rio, a pitar o seu cachimbo.
A olhar o rio,
a olhar o rio, ou a voar para lá do rio, para lá dos montes, até ao passado...
O cheiro doce do tabaco que ele tirava de uma caixinha de madeira e enchia o cachimbo sem pressa, como de um ritual se tratasse.

Na casa grande tudo era alvoroço.
A Mãe a levantar a mesa do almoço, a senhora que ia lá a casa ajudar, a começar a fazer a limpeza, as crianças a correram à volta da casa a entrarem, para dentro de casa, a esbarrarem com a mãe que tentava equilibrar nas mãos as travessas e os pratos..

E o olhar do Avô preso lá longe.
E uma das crianças sentada a olhar o Avô.
Amava aquela casa, cada membro da família.
Cada verão, cada estação.

Mesmo quando alguma coisa não estava bem, estava tudo bem.
A casa, aquela casa grande, com todo aquele espaço, as árvores,
a figueira generosa imensa e fresca, virada para o rio.
A casa com os seus odores, com a voz da Mãe, com a hora do estudo, no tempo de aulas e a tia a tomar conta.
A casa.
A casa encantada.

Até quando?
Até quando pode durar a eternidade…
Até quando Avô?
O cheiro doce do seu cachimbo,
o barulho das outras crianças...
A rotina tão segura de todos os dias.

A casa será sempre eterna.
Porque está viva.
Dentro daquela criança.
E em mim.

Ana de Melo

(Re)Conhecer a Régua-215




            Uma surpreendente fotografia da  Igreja Matriz da Regoa - e também do seu grande Largo - que nos mostra a parte alta da vila,  denominada como Peso.
             Uma surpreende  imagem da fé dos reguenses, a mostrar  os sinais imperceptíveis da religiosidade do povo, talvez  em honra de S. Faustino.... o seu santo padroeiro.
          Uma surpreendente foto que nos permite ler e conhecer  a evolução e as principais marcas que mudaram o urbanismo nos principais lugares da vila, hoje cidade.   
           Pouco mais sabemos  da Régua daquele tempo, mas o que esta fotografia nos diz é bastante para entrar no seu encoberto passado.
          Aos poucos vamos descobrindo a nossa história e ficamos a conhecer melhor a vida dos nossos antepassados que viveram  os  inícios do séc.XX.

             Certamente que esta foto nos leva  a viver a história da nossa  REGOA dos inícios de 1900.

Pontes da Régua-106

Foto: josé alfredo almeida

Ciclo da vinha-13

Foto: josé alfredo almeida