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| Foto: josé alfredo almeida |
"As locomotivas de hoje entram nas estações como um sopapo de luva de boxe. Aguardam impacientemente a saída e a entrada de passageiros, deixando escapar um ruído surdo, de feras sedentas de liberdade. Na estação, ninguém perde com elas o mínimo olhar de simpatia ou interesse.
(...)
Teria os meus sete anos, quando, um dia, disse ao meu avô que havia de ser maquinista quando fosse grande. Nunca o riso e as suas palavras foram tão irónicas...
A troça do meu avô andou de boca em boca no seio da família por algum tempo. Não voltei a falar nisso, mas continuei a ser maquinista. Depois, o sonho desfez-se, pouco a pouco, como o fumo dos comboios que deixavam em cada estação um rasto de humanidade."
Camilo de Araújo Correia

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