terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Ficar na penumbra

Foto: josé alfredo almeida 



"Costumo dizer, quando me perguntam sobre as minhas origens, que nasci na região mais bonita de Portugal e numa terra cheia de encantos, quando vista de longe.A beleza do Douro, como os seus montes de matizes sempre renovados em cada estação do ano e o rio a serpentear entre eles, em curvas e contra-curvas, calmo ou truculento, não deixa ninguém indiferente.
(...)
Tenho  a convicção de que a Régua foi uma terra bafejada pela sorte. A natureza concedeu-lhe um clima único e do chão xistoso, aparentemente pobre, veio a nascer um vinho abençoado.Tornou-se a capital dessa riqueza e a evolução dos tempos trouxe-lhe as rodovias e o comboio, fazendo-a ponto obrigatório de passagem. Cresceu o comércio e avolumaram-se fortunas, o futuro desenhava-se risonho, parecia predestinar-lhe novas bênçãos.
Não sei se a culpa terá sido da rapidez ou da facilidade com que a Régua conseguiu progredir, afirmando-se como pólo de importância económica.O que é certo é que quase todos passaram a  viver o presente, a só dar valor ao dinheiro, a desdenhar qualquer vislumbre de cultura, a ignorar os poucos homens que poderiam dar-lhe história."

Camilo de Araújo Correia

Sem comentários:

Enviar um comentário