sábado, 14 de dezembro de 2013

Câmara Clara

Foto: josé alfredo almeida


Quem leu essa obra derradeira, A Câmara Clara (1980) de Roland Barthes sabe bem do seu fascínio pela fotografia que ele a considerava  como  um "certificado de presença".
Mais  do que um " teatro vivo", a fotografia também pode ser uma  memória de nós,das sombras do presente, de sonhos,  de  afectos e das  paixões que (não) perduram no tempo.
Por isso, esta fotografia me fez lembrar  uns versos tristes do poeta Robert Desnos:

"Sonhei tanto contigo,
Caminhei tanto, falei tanto
Amei tanto a tua sombra,
Que já nada me resta de ti.
Resta-me ser sombra entre as sombras
Ser cem vezes mais sombra que a sombra
Ser a sombra que há-de vir e voltar
Na tua vida cheia de sol."

Como Roland Barthes e os poetas, nós  também  vivemos como um espectador.

José Alfredo Almeida

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