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| Foto: josé alfredo almeida |
Quem leu essa obra derradeira, A Câmara Clara (1980) de Roland Barthes sabe bem do seu fascínio pela fotografia que ele a considerava como um "certificado de presença".
Mais do que um " teatro vivo", a fotografia também pode ser uma memória de nós,das sombras do presente, de sonhos, de afectos e das paixões que (não) perduram no tempo.
Por isso, esta fotografia me fez lembrar uns versos tristes do poeta Robert Desnos:
"Sonhei tanto contigo,
Caminhei tanto, falei tanto
Amei tanto a tua sombra,
Que já nada me resta de ti.
Resta-me ser sombra entre as sombras
Ser cem vezes mais sombra que a sombra
Ser a sombra que há-de vir e voltar
Na tua vida cheia de sol."
Caminhei tanto, falei tanto
Amei tanto a tua sombra,
Que já nada me resta de ti.
Resta-me ser sombra entre as sombras
Ser cem vezes mais sombra que a sombra
Ser a sombra que há-de vir e voltar
Na tua vida cheia de sol."
Como Roland Barthes e os poetas, nós também vivemos como um espectador.
José Alfredo Almeida

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