quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Vinha do Douro

Foto: josé alfredo almeida

Lugar inesquecível, que o poeta Miguel Torga adorava visitar no nosso Douro, a aldeia de Galafura,aqui um pouco antes do começo das  últimas vindimas, numa quente manhã de Setembro, com o sol  ainda a  doirar e adoçar  os cachos de uvas, num céu imensamente azul, que o mundo vai ver num cálice de Vinho do Porto.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Património da Humanidade

Foto: josé alfredo almeida

"No entanto e apesar disso, dois mil e um ficaria ficaria  para o futuro como um dos anos maiores da história da Região. Passado o tempo e diluída a memória de tanta destruição, anunciava-se uma farta novidade e, pela forma como Verão estava a decorrer, com uvas sãs, bem formadas e maturidade suficiente, os vinhos prometiam. Feita a vindima concluiu-se ter sido esta a terceira´colheita mais substancial e a sétima com maior autorização de benefício de sempre! Aliás, dois mil e um seria ao longo de muito tempo recordado como o último dos anos de um dos ciclos  que, iniciado em meados da década  anterior, se apresentou como dos mais interessantes em termos produtivos e financeiros para os lavradores do Alto Douro.
(...)
S+o que não foi pela abundância que o ano se afirmou como um dos mais interessantes de toda a história regional, nem mesmo pelo facto de ter sido aquele em que, desde sempre, mais vinho do Porto se vendeu - quase cento e setenta e cinco mil pipas -, mas sim pela classificação da Região junto da UNESCO como paisagem cultural de toda a humanidade.
(....)
É que o feito não era de somenos: o mundo, pela voz de um dos mais prestigiados fóruns internacionais, assumia e declarava que a paisagem vitícola do Alto Douro era pertença de toda a Humanidade e, por essa solene proclamação, fazia finalmente justiça a todos aqueles - sofredores!- que, com o sangue, suor e lágrimas do seu corpo, a teimosa sabedoria da sua alma, haviam edificado e construído um reino de monumental beleza e grandiosa singularidade. Lembrou-se então de Miguel Torga que, como ninguém, o havia definido: Patético, o estreito território de angústia, cingido à sua artéria de irrigação, atravessa o país de lado a lado. E é, no mapa da pequenez que nos coube, á única evidência com que podemos assombrar o mundo." 


Artur Vaz in " Vintage para uma vida"

A marca Régua

Foto: josé alfredo almeida

Breve instante

Foto: josé alfredo meida

Ainda mal acordado
a janela do quarto abri.
Mas tão em neblinas
e vapores
se escondiam as colinas
que logo me entristeci.

Sem o consolo esperado
nos esplendores
da manhã,
longo tempo, sem agrado,
me arrastei,
numa pasmaceira vã,
onde nada de belo
nem simples palavra achei
para algum verso singelo…

Nada
de nada.
Até ao instante sagrado
em que, rasgados os medos
que o haviam sequestrado,
um sol impante de fulgores
pelos montes e vinhedos
revelou formas e cores.

E enquanto assim
a natureza explodia
numa paleta sem fim...
também aquela dor
se desvanecia,
por encanto,
no luminoso sabor
de um poema antes perdido,
mas agora acontecido.
Tão bem e tanto,
que, finalmente, em mim sorri:
- Ei-lo, é este que tenho aqui!...
Artur Vaz

Tardes de Outono

Foto: josé alfredo almeida


É de tarde, na melancolia turva
dos poentes, ouvindo um tocar de sinos
escorrer sob o azul dos céus quentes,
que essa imagem desce de agosto, ou
setembro, e se enrola sem desgosto
no chão obscuro desse amor que lembro.

Nuno Júdice

Alminhas

Foto: josé alfredo almeida